O QUE É LIMITE
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A palavra limite significa “demarcação”,
algo no sentido de: “isto acaba aqui, nesta linha,
neste momento...” Podemos dizer, “esta linha separa
São Paulo do Paraná, portanto, depois
da linha não é mais São Paulo” .
Limite é definitivo, não existe meio
termo. Limite é fronteira.
Se pensarmos limites dentro do
que a própria palavra significa, facilitará,
em muito, nosso entendimento no momento de colocarmos
limites em nossos filhos.
PRA QUE SERVE O LIMITE?
• O limite, como vimos na edição
passada, deve ser colocado somente com o propósito
de ensinar à criança o que é e
o que não é permitido.
• A função ESSENCIAL DO LIMITE é dar proteção
e segurança
• Crianças não nascem com noção de perigo, este leva
em torno de 5 anos para se instalar na criança. Os limites, colocados
adequadamente, vão constituindo na criança um cuidado consigo próprio
e assim, despertando a noção de perigo
• Crianças são, a grosso modo, um turbilhão de sentimentos,
um campo fervilhante de emoções, um universo tumultuado tentando
se adaptar e sobreviver ao que é este mundo dominante de “gente grande”.
Tentando dar conta de tantos adultos neurotizados, histéricos, temperamentais,
na maioria das vezes. Em razão desse turbilhão, as crianças
são obrigadas a lidar com sentimentos de natureza completamente opostas.
Ora são tratadas com carinho, ora com estupidez. Ora choram e são
pegas no colo, ora choram e são largadas no berço. Ora deixam virar
o leite e apanham, ora deixam virar o leite e ganham beijinho. Ora “zombam” do
adulto e estes acham graça, ora “zombam” e são repreendidos. Ora
amam, ora odeiam. Os limites adequados ajudam a criança a estabelecer
parâmetros bem como, propiciam tranqüilidade por eliminar o excesso
de sentimento de culpa naturais nesta fase.
• Quando a criança sente raiva ou ódio com muita intensidade, fica
difícil, na maioria das vezes frear-se sozinha. Precisa de nossa ajuda
no sentido de canalizar a expressão desses sentimentos, de modo não
destrutivo. E essa ajuda significa firmeza e a segurança de limites bem
colocados.
• Em torno do 1º ano, as crianças não tem controle interno
de espécie alguma, por isso, o impulso e a tentação são
fortes demais e ela não consegue aceitar e respeitar os limites. Pouco
a pouco, vai aumentando a capacidade de controlar os impulsos e resistir às
tentações e, concomitantemente, fica maior a possibilidade de internalizar
os limites. Colocar limites exige paciência e compreensão do que
se passa com a criança.
AS CONFUSÕES MAIS COMUNS:
• Limite sinônimo de Punição – ERRADO
Infelizmente a maioria das pessoas acreditam que punição
impede mau comportamento, o que de certa forma é verdade, em alguns
casos. O medo de ser punido é tão grande que impede a pessoa
de repeti-lo. Se o medo levar à compreensão da atitude errada,
menos mal, ainda tem seu lado benéfico.
O grande problema é que a punição geralmente é aplicada
por um adulto que não consegue controlar sua raiva, seu nervosismo,
sua irritação. Ou seja, a punição é um “alívio” para
seu executor (um desquilibrado). Este estado de espírito cega o
adulto de ver a atitude da criança como normal à sua idade;
olha a atitude da criança como se a criança tivesse que agir
como adulto.
• Limite sinômino de AMOR- CERTO
Limite deve ser colocado de forma à esclarecer para a criança
que sua atitude não lhe beneficiária, não lhe fará feliz.
Deve ensinar à criança qual a forma correta, deve levar em
consideração que sua memória é “curta” e que
deveremos, provavelmente, repetir isso várias vezes, até que
ela assimile. Lembrando que ensinamos mais com nossos próprios atos,
ser referência. Não é coerente dizer para a criança,
por exemplo, “Não grite”, gritando.
• Antes apanhar hoje do que sofrer amanhã – ERRADO
Apanhar hoje não garante eliminação de sofrimentos
futuros, garantem apenas o sofrimento imediato e o alívio de quem
bate.
• Nada que uma boa surra não resolva – ERRADO
É certo, que na maioria das vezes a surra “paralisa” a criança.
Por isso “paralisa” o mau comportamento também. Evidentemente, medo, raiva,
impotência oferecem um resultado imediato. A questão é: qual
o preço?
Não devíamos “brincar” de
colocar limites, isso faz com que a credibilidade
do educador seja jogada água abaixo, perde
o respeito. E a criança, por generalizar,
entende que adultos não se dão ao
respeito, não são confiáveis.
Há quem adore “brincar
de poder” com as crianças ( e até mesmo,adultos).
Há uma falta de entendimento neste aspecto.
Modificar-se
Este item diz respeito a nossa
maneira de se comportar.
Se pararmos para pensar, algumas de nossas atitudes acabam nos parecendo
sem sentido e, então, chegamos à conclusão de que “fazemos
guerra” à toa. O impasse termina quando reformulamos nosso manejo
e passamos a atuar de outra forma.
Muitas vezes reagimos a partir de nossa própria posição
e ponto de vista, sem entender a necessidade dos outros.
Modificar-se implica em reavaliar-se, questionar-se e estar disposto a
fazer mudanças. É preciso flexibilidade.
Ângela Clara Corrêa
Psicóloga – Coordenadora de Cursos de Babá e Recreação
Infantil
Diretora Técnica da UNIRE
- Desenvolvimento Humano