Falaremos um pouco o que é essa
generalizada e, às vezes malfadada, fantasia.
Será que a fantasia da criança é a
mesma que a genérica e popularmente usada?
Segundo o Aurélio, fantasia é [Do grego phantasía.]
aquilo que não corresponde à realidade, mas que é fruto
da imaginação.
Poderíamos até brincar
que a fantasia da criança não é realidade
mas é fruto da imaginação
dela, portanto, é verdade por ser a sua
realidade.
Fantasia e brincadeira
Fantasia é quando pegamos
um pedaço de madeira, aparentemente sem
utilidade, e o transformamos em um carrinho!!!!
Brummmm brummmmm... Parece uma mágica. E
este carrinho tem motor, tem luzinhas, tem para-brisas,
e faz manobras... ih!!!.... olha como eu dirijo
bem...
Fantasia na infância é diferente da fantasia do adulto, no
sentido de que pra criança ela ainda não distingue (embora
saiba o que é real e o que não é) uma da outra. Ou
seja, ela não pensa racionalmente sobre estas questões. Apenas
vive a vida. Ainda está apreendendo sobre o mundo. Está integrando-se
ao mundo, está absorvendo o que é estar vivo e se constituindo
enquanto ser. A fantasia aqui é um elemento facilitador para sua
ingressão no mundo real. Poderíamos dizer que pra criança
sobreviver a essa “confusão” que é aprender a viver , se
relacionar, virar gente grande, enfim, lidar com a realidade, ela precisa
dessa fase onde a fantasia é intensa para que ela vá se adaptando
aos poucos. Pegar a realidade de cara seria muito violento.
Portanto, a fantasia – conseqüentemente a brincadeira – é a
forma que temos para “filtrar”, tornar mais prazeirosa a nossa inserção
no mundo. A fantasia é uma forma de compensar as pressões
vividas neste amadurecimento
É claro que a fantasia vai desaparecendo com o tempo. A fantasia infantil
vai se esvaindo por volta dos 7 anos de idade, gradativamente. A impressão
que me dá, por vezes, é como se fosse como um grande portal essa
transposição da infância para a adolescência... um
portal que marca uma travessia. Essa travessia é nítida. É quando
deixamos de acreditar que é o Papai Noel que traz nossos presentes, que
não é o coelhinho que traz os ovos de Páscoa. É a
despedida da nossa fantasia, que vai dando lugar à realidade.
Quem é quem na
fantasia?
As crianças têm uma
lógica própria. Vivem num ambiente
de faz-de-conta e mantêm-se cercadas por
um universo repleto de personagens mágicos.
Fantasiando, a criança brinca, ri, sente
medo e chora – e desenvolve-se. A brincadeira é um
momento de verdade, de intenso sentimento, da maior
importância para elas. É o campo da
fantasia. Nessas fantasias infantis surgem seres
imaginários, que podem aparecer a partir
dos 2 anos. O normal é que desapareçam
por volta dos 6 / 7 anos.
Lembra de quando acreditávamos
em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa? Então,
crianças acreditam nestas figuras, que chamamos
de mitos.São Mitos simpáticos, amigáveis,
afetuosos, presenteiam e contribui para que a criança
se sinta importante. Ao contrário do que
pensam alguns adultos, acreditar nestes mitos é fundamental
para o desenvolvimento da criança. Não
destruam estas”fantasias”, afinal, com o tempo,
naturalmente, eles acabam.
Outros habitantes do imaginário
infantil, e nada agradáveis, pelo menos
a princípio, são a bruxa e o lobo
mau. Nas histórias eles são malvados
mas também são derrotados, e isso
dá à criança geralmente a
sensação de serem poderosas, a idéia
do bem vencendo o bem vai se instalando.
São os super-heróis, como o Super-homem, o Batman e tantos
outros. O super herói representa uma saída para lidar com
a impotência diante dos adultos, dos conflitos. Uma forma de ver-se
mais poderoso.
Os amiguinhos invisíveis
também tem uma forte freqüência
no universo infantil. Quase todas as crianças
tem amigos imaginários, principalmente os
filhos únicos. Estes amiguinhos são
criação delas, portanto, parte delas.
Dá a sensação de domínio
e segurança. São recursos naturais
principalmente para ajuda-las a resolver conflitos
que sozinha não estão dando conta.
Desta forma, recorrem a uma extensão de
si mesmas amenizar sofrimento. É importante
ressaltar que estes amiguinhos são “inofensivos” na
primeira infância, mas, se persistirem além
da fase púbere, deixam de ser “naturais” e é preciso
fazer uma investigação da necessidade
desta criança buscar este recurso.
Brincadeira e Realidade - Um
equilíbrio delicado
Equívoco comum que os adultos
cometem ao reagir a uma brincadeira da criança é imaginar
que ela não é “de verdade”. Em mais
de um sentido, porém, a brincadeira é a
verdadeira realidade da criança; precisamos
respeitá-la como tal. Mas esse cuidado refere-se
apenas a nosso encorajamento.
Ângela Clara Corrêa
Psicóloga – Coordenadora de Cursos de Babá e Recreação
Infantil
Diretora Técnica da UNIRE
- Desenvolvimento Humano