Liberte-se da ditadura dos padrões de beleza e aprenda a aceitar
seu próprio corpo. Ninguém é obrigado a ser top model!
- Padrões
X biotipo
- Calorias que "esquentam
a cabeça"
- Filho de peixe, peixinho é
Você malha, faz dieta, caminha,
nada, corre e ainda assim parece estar sempre a
anos luz de distância dos corpos esquálidos
das supermodelos. Sua filha, que também é vaidosa,
segue, ainda com mais afinco, a rotina em busca
da forma perfeita. A pressão vem não
só das passarelas mas também da televisão,
do cinema, das revistas e dos outdoors, que insistem
em a vender a idéia do "seja magra
e bonita para ser feliz". Cuidado! Ao comprar
esse conceito você pode pagar um preço
alto: a obsessão pela perfeição
e até danos graves à saúde.
Paralelamente a essa guerra contra
os pneuzinhos e quilinhos a mais, proliferam a
oferta e a variedade de fast-foods, de bolachas,
doces e todas as guloseimas nas gôndolas
dos supermecados, que se tornam provas de resistência à boa
forma e fazem da gula o pecado mais temido e evitado
- dentre os sete capitais - na atualidade.
Saiba que a insatisfação
com o corpo ronda tanto o público feminino
quanto a idéia de supervalorização
da beleza. Pesquisas feitas pelo departamento de
psicologia do Hospital das Clínicas, em
São Paulo, comprovam que mais de 30% das
mulheres com peso saudável se acham gordas,
enquanto 55% dos homens acima do peso se consideram
enxutos.
Para Marcelo Sodelli, psicólogo
em São Paulo, estas diferenças entre
os sexos têm raízes culturais. "O
homem atraente não precisa ser necessariamente
bonito, mas espera-se que a mulher possua uma série
de atributos como charme e sensualidade, além
de um compasso afinado com a balança",
explica. Se por um lado o sexo feminino se encontra
cada vez mais emancipado, conquistando lugares
antes somente ocupados pelos homens, por outro
ainda está submisso a padrões estéticos
cada dia mais implacáveis.
Mais do que baixa auto-estima,
essa preocupação excessiva pode ser
traduzida no que os especialistas chamam de dismorfia
corporal, ou seja, a pessoa não consegue
se enxergar como é, por mais que seu peso
esteja adequado, o que pode comprometer ou atrapalhar
sua vida social. Nesse caso, procurar ajuda de
um especialista é o melhor a fazer.
Padrões X biotipo
Pouco ou muito peito, bumbum grande,
cinturinha fina. À medida que a moda elege
seus "hits" ao longo das décadas,
a corrida pelos centros de estética, pelas
academias e clínicas de cirurgias plásticas
se acirra, com um único objetivo: a boa
forma.
O mercado agradece tanta euforia:
no Brasil, a procura por próteses de silicone
aumentou 25% no ano de 2000 em relação
a 1999, causando escassez no estoque da Silimed, única
produtora nacional desse produto. Os números
traduzem não somente a luta contra as imperfeições,
mas contra o biotipo das pessoas, ou seja, a herança
genética.
Se toda a sua família tem
aquela barriguinha que teima em não sumir,
de nada adianta se acabar nos abdominais para eliminá-la
totalmente. Da mesma forma, é utopia sonhar
com 1,75m de altura quando seus pais não
passam de 1,60m. Nessa distância entre a
realidade e os padrões é que a semente
das frustrações, complexos e sofrimentos
com o próprio corpo, vai encontrar terreno
para se desenvolver, podendo resultar em fortes
depressões e em distúrbios alimentares,
como a anorexia e a bulimia.
Para manter a forma sem perder
a cabeça, exercícios, alimentação
equilibrada e emagrecimento devem visar, primeiramente,
a manutenção da saúde e do
bem-estar físico e mental e não apenas
a transformação estética.
Lembre-se de que o limite de seu corpo deve ser
respeitado! Afinal ele não precisa e, muitas
vezes, nem pode se moldar às formas tidas
como perfeitas.
Calorias que "esquentam a
cabeça"
"Eu queria ser magra e alta
como as modelos". A frase de Ana Cláudia
Jacon, 15 anos e apenas 1,58m, retrata o quanto
os adolescentes são consumidores vorazes
do ideal do culto ao corpo, além de facilmente
influenciáveis pela moda. Isso porque, nesta
fase, estão passando por várias transformações
físicas, ao mesmo tempo em que a identidade
se forma. E para construí-la passam a buscar
exemplo nos tipos apresentados pela mídia
como bonitos, perfeitos e bem sucedidos. "A
insegurança leva o jovem a procurar a aprovação
do outro, e a beleza será como um cartão
de visita: se tenho um corpo bonito vou me sentir
seguro para me aproximar de uma outra pessoa",
afirma o psicólogo Marcelo Sodelli.
Ele lembra, ainda, que nem sempre
as insatisfações e reclamações
comuns dessa idade são injustificadas. A
questão pode ser mais complexa, pois geralmente
o problema não está no nariz - que
a pessoa julga feio, por exemplo - mas todas as
suas angústias internas foram jogadas nele,
que, na verdade funciona como um bode expiatório.
O mesmo pode acontecer com o cabelo, pernas, ou
qualquer parte do corpo. Nesse caso, a solução
não está na mudança da aparência
e sim na transformação da mentalidade.
Filho de peixe, peixinho é
Dosar com equilíbrio a
intensidade da malhação e a preocupação
com o corpo, além de ser benéfico
para a saúde da mulher também é importante
para a educação dos filhos. A mãe é o
primeiro modelo para a criança, sendo a
primeira a influenciá-la. "Uma paciente
de 8 anos me contou que sempre sonhava com uma
rata gorda, que havia tomado muito remédio
e por isso tinha morrido. Na vida real, a rata
era a mãe, obsecada por regimes", exemplifica
Marcelo, mostrando que a pouca idade dos pequenos
não impede o entendimento dos males da vaidade
desmedida.
Por isso, para não
passar aos filhos a herança da escravidão
aos modelos de beleza, a receita é explicar-lhes
que nem todas as pessoas bonitas que aparecem
na TV são felizes e aceitas pelos outros,
sempre procurando discutir e levantar questões. "Só assim
as crianças poderão ser críticas
diante das Sheilas, Xuxas ou Angélicas
que aparecem na telinha", completa o psicólogo.
Fonte: site clickfilhos.com.br
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